O Resumo De Uma Sociedade Condenada Está Em Uma Rede De Conveniências

O Resumo De Uma Sociedade Condenada Está Em Uma Rede De Conveniências

Vida Urbana

Administrador do Site

Sejamos francos – nos acostumamos às facilidades que vivemos hoje em dia.


Encontramos no drive-thru de fast-food enquanto corremos para chegar em casa, apenas para buscar as crianças e empurrá-las para suas atividades. Comer no carro em vez de comer na mesa de jantar se tornou a regra.


As tecnologias mais recentes tiram a preocupação em esquecer alguma coisa, fazendo essa parte da vida obsoleta. Até mesmo as geladeiras mais modernas nos contam o que tem dentro, para nos assegurar que não compremos leite e ovos a mais, quando não precisamos.


Esses são apenas alguns exemplos, mas a lista não tem fim.


Se você observar um dia comum, quantas tarefas são feitas com ajuda? Todos temos smartphones, WiFi e GPS na ponta dos dedos – não importa em qual parte do mundo estamos.


Eu amo essas conveniências. Mas será que nos permitimos confiar tanto nesses facilitadores que estamos dificultando nossa própria habilidade em lidar com a vida do jeito que ela se apresenta?


Será que esquecemos como eram as coisas há não muito tempo, para gerações passadas, quando as maiores conveniências incluíam entrega de leite diariamente? Naquele tempo, o melhor jeito de saber o que estava acontecendo ao nosso redor e ao redor do mundo era no noticiário noturno.


Eu olho para as nossas crianças, que têm seus próprios tablets e fones de ouvido desde os 4 anos de idade, me pergunto se essas conveniências do mundo moderno fazem mais mal do que bem, a longo prazo.


Por exemplo, essas conveniências estão criando problemas em outras áreas, como obesidade? Será que nossas crianças estão deixando de aprender a se preparar para a vida que se apresentará e não para como desejamos que ela se apresente? Estamos negligenciando lições que deveríamos ensiná-las agora? Essa negligencia prejudica-as, programando-as para falhar futuramente?


Será que nosso nível de preguiça aumentou diante da possibilidade de pagar por, basicamente, tudo, desde que o menor esforço possível seja investido na tarefa de conquistar o que queremos? Responsabilizar-se por essa confusão realmente muda alguma coisa, e quem é o responsável por fazer algo a respeito disso?

 

E, meu maior questionamento: sou o único a ver esse problema na nossa sociedade?

 

Por quê mais ninguém questionou isso a ponto não apenas de iniciar uma conversa, mas de buscar uma solução?


Aqui está minha opinião sobre o assunto:


Conveniências são para facilitar algumas coisas, mas levamos isso longe demais. Permitimos que nós e nossos filhos não apenas utilizemos essas coisas que facilitam a vida, mas construímos nossa vida ao redor delas.


Nosso vício em atenção sem esforço e a ideia de direito da maioria da sociedade parece estar guiando a vida das pessoas e dificultando o progresso que realmente precisamos ter para sustentar nossos valores morais e comportamento ético.


Agora, não me entenda mal – passar no drive-thru não vai acabar com tudo o que temos em uma noite. Mas observe sua família: vocês sentam juntos à mesa de jantar para fazer refeições juntos, ou fica cada um em um canto enviando mensagens de texto para o outro na mesma casa se tornou normal?


Nenhum de nós pode mudar o mundo, mas podemos fazer nossa parte tomando as rédeas dos nossos valores. Nada na vida vem fácil, e embora a tecnologia tenha feito avanços para melhorá-la, ainda é nossa responsabilidade usar essas tecnologias da melhor maneira possível, ao invés de depender que elas façam tudo por nós. Lembro de assistir “Os Jetsons” e pensar que estávamos muito longe daquele estilo de vida. Mas agora, não tenho tanta certeza disso.


Onde vamos a partir de agora? Como consertamos essa epidemia e criamos um futuro diferente?

 

Aqui estão algumas ideias. Fique à vontade para adicionar a sua.


Se desafie.


Não é porque uma coisa é difícil que não vale a pena ser feita. De fato, algumas das coisas mais importantes vêm dos momentos mais difíceis. Não vá sempre pelo caminho fácil. Você ganha aprendendo mais e também inspira as pessoas ao seu redor.

 

Não reclame.


A vida é difícil e terão coisas que não poderemos consertar ou desfazer. Descubra uma maneira de aproveitar ao máximo dessas situações, e mesmo que o resultado não seja o ideal, sua atitude vai ajudá-lo a lembrar do que realmente é importante.

 

Volte para o básico.


Quando algo é feito por nós, nos esquecemos de como fazer as coisas simples, como amarrar os sapatos. O progresso e as inovações podem tirar sua vontade de fazer até as tarefas mais simples, porque fazê-las não é mais necessário.

 

Determine suas prioridades.


Se um jantar em família uma vez por semana é importante para você, então crie espaço na agenda para isso. Não permita que você (ou os outros) inventem desculpas apenas porque é o mais fácil a fazer. Se houver conflitos, remarque a data. Nunca cancele.

 

Aprecie seus entes queridos.


É fácil não valorizar as pessoas (e fazemos isso o tempo todo) e, ainda que isso aconteça, nós faríamos qualquer coisa por alguns momentos juntos. Conversar ao invés de mandar mensagens e emojis. Nada aquece mais o coração e cria momentos do que algumas poucas palavras trocadas com as pessoas que você mais ama.

 

Mantenha seus valores, moral e ética intactos.


Hoje em dia é fácil se perder em coisas superficiais como títulos e status. Independentemente de quão longe você chegou no trabalho ou quantos privilégios lhe são concedidos, lembre-se de como chegou lá e aconselhe os outros quando tiver oportunidade. Nunca se esqueça de quem você é, não deixe o dinheiro que apareça no seu caminho mudar o legado que você quer deixar.

 

Siga em frente com suas intenções.


Frequentemente as pessoas não querem se comprometer e depois não querem enfrentar o fato de que precisam desapontar alguém através de suas escolhas. Diga “sim” apenas às coisas e pessoas com quem você realmente quer doar tempo e esforço – não engane os outros com atitudes pela metade, apenas por ser conveniente. Seja inteiro, ou saia.

 

Afaste-se dos dispositivos.


Não os traga para a mesa de jantar, deixe-os lá dentro enquanto você relaxa na piscina, permita que as ligações vão para a caixa postal. Quebrar essas regras é mais fácil do que pensamos – temos apenas que nos permitir quebrá-las. Não seria o pior dia da vida se não tivermos WiFi o tempo todo. Tenha a consciência de desligá-lo à noite, quando sair com os amigos, ou quando estiver com seu companheiro(a). Essa atitude é mais valorizada do que você pensa, não importa quem está com você.

 

Brinque.


Divirta-se. Lembre-se de como era ser uma criança e fazer as coisas que a maioria de nós esqueceu: corra num jardim, pule de um balanço, faça bolhas de sabão. Ria alto, sorria mais, gargalhe. Jogue bola, ande de bicicleta. Pinte a calçada com giz. Dance e cante quando sentir vontade. Fazer coisas divertidas assim aumenta sua felicidade e sua energia para quando você tiver que fazer “coisas de adulto”.

 

Experimente coisas novas.


Nós entramos em rotinas muito facilmente e negligenciamos a curiosidade humana de se aventurar em outras coisas. Se empolgue com o começo de uma nova parte da sua história, com a exploração de coisas que não estejam em sua zona de conforto, ou apenas com o aprendizado de algo novo. Você pode não se apaixonar por essas novas coisas logo de cara, mas pode te ajudar a expandir seu horizonte de maneira que você nunca imaginou.


Nossas vidas podem mudar, mas apenas se decidirmos mudá-las. Essas mudanças vão intimidar alguns e inspirar outros. Você que sabe qual lado escolhe e o que fizer a seguir determina se você vai ficar preso no mesmo lugar ou se vai decidir viver mais atentamente.


Não precisamos viver desta maneira. Ainda podemos consertar isso. No fim das contas, essa escolha é tanto minha quanto sua. A questão não é tanto sobre a sua escolha, mas sobre o quanto você está comprometido com ela. Isso é o que conta. A hora de começar é agora.

 

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